Grupos de trabalho
A buildingSMART Portugal prevê desenvolver durante o ano de 2023 vários projetos relacinados com a implementação e divulgação do OpenBIM. Igualmente estamos a promover a constituição de grupos de trabalho para atividades concretas como sejam a criação de documentação, livros brancos, apoio a normas, newsletters, entre outros.
Caso tenha disponibilidade em colaborar por favor manifeste o seu interesse para geral@buildingsmart.pt ou contact um dos responsaveis.
Grupos de trabalho ativos
WBS – Grupo de trabalho para concertação de uma listagem WBS
Responsável: Marta Campos
Objetivo: Desenvolver uma lista WBS (Work Breakdown Structure) padronizada para projetos de construção.
Em Portugal o sector da Indústria AEC (Arquitectura, Engenharias e Construção) carece de eficiência não só do ponto de vista operacional como do ponto de vista económico.
A digitalização da construção é um dos caminhos apontados como solução, no entanto a digitalização requer consensos, normas e standards onde apoiar a gestão de informação inerente.
Um problema transversal a todas as áreas da indústria AEC em Portugal é a ausência de uma norma portuguesa que defina a organização do MQT (Mapa de Quantidades e Trabalhos), documento este que faz parte dos entregáveis da fase do Projeto de Execução.
Este facto tem como consequência um sem número de problemas, mal-entendidos e ineficiências na interpretação e gestão da informação que este documento pretende veicular ao longo da cadeia de valor.
A buildingSMART Portugal pretende desenvolver um articulado de MQT e regras de medição ancoradas na metodologia openBIM, que sirva de guia orientador para a desagregação dos trabalhos, com a participação de especialistas da indústria AEC que envolva toda a cadeia de valor que produz, interpreta e utiliza este documento para o desenvolvimento das suas atividades.
PRINCÍPIOS ORIENTADORES DO TRABALHO:
- Foco em Edifícios;
- Foco no WBS a adotar, que inclua e sirva todas as disciplinas e trabalhos necessários à execução da empreitada;
- WBS não deve conter capítulos ou subcapítulos com referência a especificidades inerentes a decisões de projeto. O articulado deve ser “isento” e transversal a todos os projetos de edifícios;
- Regras de medição serão orientadas pela metodologia openBIM.
EIR I – EIR para a fase de projeto de obra privada
Responsável: Miguel Azenha
Objetivo: Elaborar os Requisitos de troca de Informação (EIR) específicos para a fase de projeto em obras privadas.
Exemplo de EIR – Requisitos de trocas de informação
O que são os EIR?
De acordo com a ISO 19650-1:
Os EIR estabelecem aspetos de gestão, comerciais e técnicos da produção de informação do projeto. Os aspetos de gestão e comerciais deverão incluir a norma de informação e os métodos e procedimentos de produção a serem implementados pela equipa de desenvolvimento.
Os aspetos técnicos do EIR deverão especificar a informação detalhada necessária para responder aos PIR. Estes requisitos deverão ser expressos por forma a que possam ser incorporados nos compromissos relacionados com o projeto. Os EIR normalmente deverão estar alinhados com os eventos desencadeadores que representam a conclusão de algumas ou de todas as fases do projeto.
Os EIR deverão ser identificados sempre que os compromissos estiverem a ser estabelecidos. Em particular, os EIR recebidos pela entidade fornecedora líder podem ser subdivididos e passados para qualquer uma das suas entidades fornecedoras, e assim por diante ao longo da cadeia de fornecimentos. Os EIR recebidos pelas entidades fornecedoras, incluindo as entidades fornecedoras líderes, podem ser aumentados com os seus próprios EIR. Alguns EIR podem ser transferidos para as suas próprias entidades fornecedoras, principalmente quando a troca de informação dentro de uma equipa de desenvolvimento é necessária e esta informação não é para ser trocada com a entidade requerente.
Num projeto, podem existir vários compromissos diferentes. Os EIR de todos esses compromissos deverão formar um único conjunto coerente e coordenado de requisitos de informação, suficiente para atender a todos os PIR.
O que deve ser tido em conta na sua definição?
De acordo com a ISO 19650-2:
A entidade requerente deve estabelecer os seus requisitos de troca de informação a serem cumpridos pela potencial entidade fornecedora líder durante o compromisso.
Ao fazer isto, a entidade requerente deve:
- estabelecer os requisitos de informação da entidade requerente a serem cumpridos durante o compromisso e, ao fazê-lo, deve considerar os seus:
- requisitos de informação organizacional,
- requisitos de informação do ativo, e
- requisitos de informação do projeto;
- estabelecer o nível de informação necessário requerido para atender cada requisito de informação;
NOTA: Podem ser adicionadas a esta métrica outras métricas para descrever o estado da informação, como o nível de precisão, conforme se considere apropriado.
- estabelecer os critérios de aceitação para cada requisito de informação e, ao fazê-lo, deve considerar:
- a norma de informação do projeto,
- os métodos e procedimentos de produção de informação do projeto, e
- o uso de informação de referência ou recursos partilhados fornecidos pela entidade requerente;
- estabelecer a informação de suporte que a potencial entidade fornecedora líder pode necessitar, por forma a compreender ou avaliar de forma plena cada um dos requisitos de informação ou os seus critérios de aceitação e, ao fazê-lo, deve considerar:
- informação existente do ativo,
- recursos partilhados,
- documentos de suporte ou material de orientação;
- referências para normas relevantes internacionais, nacionais ou da indústria, e
- exemplos de entregáveis de informação similares;
- estabelecer as datas dos marcos de entrega da informação do projeto e dos momentos-chave de decisão da entidade requerente que cada requisito tem de cumprir e, ao fazê-lo, deve considerar:
- o tempo necessário para a entidade requerente rever e aceitar a informação, e
- o processo interno de validação da entidade requerente.
Porquê?
A formalização de EIR’s alinhados com a série ISO19650 e até com guias que se encontram a ser preparados ao nível da CEN TC442 (FprCEN/TR 17654) é ainda escassa. Em grande parte a escassez emana da falta de exemplos disponíveis à comunidade em geral, com aplicação a casos concretos, e que fomentem a aplicação de melhores práticas. Este é um processo que pode ser fortemente acelerado pela mobilização conjunta dos atores envolvidos/interessados, e é a razão de ser da criação deste projeto da buildingSMART Portugal.
O que se pretende produzir/entregar?
Pretende-se preparar um exemplo dum documento EIR aplicado a um caso concreto, tendo inicialmente os seguintes pressupostos que poderão ser sujeitos a revisão:
- EIR diz respeito à fase de projeto de um edifício multi-familiar, contemplando o projeto de arquitetura e das diversas especialidades envolvidas;
- O CDE é gerido pela entidade requerente;
- A entidade requerente é um cliente privado (investidor imobiliário);
- As entidades fornecedoras serão selecionadas através de um processo de concurso lançado com base no CDE;
- Serão sempre seguidos processos que promovam o openBIM em detrimento de fluxos colaborativos proprietários;
- O EIR será criado no contexto Português, e realizado em língua Portuguesa;
- O documento produzido será disponibilizado de forma gratuita a todos os associados, e todos poderão acompanhar os vários estágios de desenvolvimento do mesmo.
Quem está envolvido?
Na génese desta iniciativa estão três membros buildingSMART Portugal, celebrando desde o início a complementaridade entre a indústria e academia no processo: Luís Ribeirinho Soares, Miguel Azenha, José Carlos Lino. São bem-vindos todos aqueles que queiram colaborar na produção do documento, ou meramente observar.
Em que posso ajudar?
Por favor responda ao nosso inquérito caso possa colaborar neste projeto ou tenha alguma contribuição para o mesmo.
EIR II – EIR para a fase de projeto de obra pública
Responsável: Miguel Azenha
Objetivo: Elaborar os Requisitos de troca de Informação (EIR) específicos para a fase de projeto em obras públicas.
EIR III – EIR para a fase de construção
Responsável: Miguel Azenha
Objetivo: Elaborar os Requisitos de troca de Informação (EIR) específicos para a fase de construção.
IFC PT – Tradução das entidades IFC para português, com bSBrasil
Responsável: Luís Ribeirinho
Objetivo: Colaborar com a buildingSMART Brasil na tradução das entidades IFC para a língua portuguesa.
Espaço de Dados da Construção
Responsável: Mário Coelho
Objetivo: Participar no desenvolvimento dos aspetos específicos do domínio da construção no contexto dos futuros Espaços Europeus Comuns de Dados (EECD)
A Estratégia Europeia para os dados, definida em 2020 e atualizada em 2025, definiu o roadmap para que a Europa se torne um mercado aberto de dados em benefício de empresas e cidadãos. Um dos elementos chave para a existência de tal mercado seriam os EECD. O desenvolvimento dos EECD está a ser feito em separado para diferentes indústrias chave da Europa, prevendo-se depois a federação dos mesmos.
No contexto da Construção, a iniciativa Digital Ter-X (DTX) tem vindo a liderar o desenvolvimento de um futuro Espaço Europeu Comum de Dados da Construção (EECDC). A nível nacional, a presença do DTX materializa-se em dois grupos de trabalho:
- grupo de trabalho Gaia-X para o domínio da Construção (link), onde são abordados os aspetos técnicos relativos ao desenvolvimento do Espaço de Dados per si;
- presente grupo, onde são abordados os aspetos técnicos necessários para adaptar o Espaço de Dados ao domínio específico da Construção, mas também outros aspetos relativos à governança e ao modelo de negócio do Espaço de Dados
Estes dois grupos de trabalho são liderados pelas mesmas pessoas e têm participantes em comum. Deste modo, os objetivos e as atividades realizados por ambos estão sincronizadas.
Objetivos:
- Desenvolver especificações para um futuro Espaço de Dados da Construção, alinhado com os princípios Gaia-X, que suporte a soberania dos dados e a confiança entre os participantes.
- Promover a interoperabilidade, através da adoção de padrões abertos como o OpenBIM, OpenGIS e normas como a ISO 19650, garantindo que as informações podem circular entre diferentes ferramentas, plataformas e agentes do setor.
- Definir modelos de governança e de negócio para serviços de dados no setor da construção: catálogos de serviços, governança aberta, contratos baseados em dados, entre outros.
- Garantir conformidade regulatória, especialmente para contratos públicos, integrando requisitos europeus e nacionais relacionados com privacidade e transparência.
- Criar um ecossistema colaborativo que envolva os agentes do setor a nível nacional, sensibilizando-os para a importância da existência de espaços de dados na construção.
Benefícios para os Participantes:
- Soberania de dados: as entidades do setor terão mais controlo sobre os seus dados, garantindo confidencialidade e segurança.
- Eficiência operacional: com modelos de dados interoperáveis, é possível reduzir duplicações, evitar retrabalho e acelerar processos na construção.
- Inovação: a framework comum abre espaço para novos serviços, soluções e negócios.
- Confiança e transparência: um Espaço de Dados baseado nos princípios do Gaia-X gera maior confiança entre os agentes do setor, permitindo negócios mais éticos e responsáveis.
- Alinhamento com políticas europeias: o grupo contribui para os objetivos da UE em termos da Twin Transition (Verde e Digital).
Atividades Previstas:
- Organização de workshops e webinars para definir requisitos, casos de uso e roadmap do Espaço de Dados da Construção.
- Colaboração na elaboração de especificações técnicas e guias de implementação (por exemplo, containers de informação para modelos de projeto, contratos digitais, regras de governança).
- Pilotos e provas de conceito (PoCs) com diferentes tipos de stakeholders (empreiteiros, municípios, proprietários) para testar a troca de dados via Espaço de Dados.
- Produção de documentos de posicionamento (como papers, white papers) para sensibilizar para a necessidade de um Espaço de Dados da Construção e promover boas práticas.
- Participação ativa nas comunidades Gaia-X para alinhar os esforços e escalar a iniciativa.
Coordenação e Participação
- O Grupo de Trabalho será coordenado por membros da buildingSMART Portugal que já têm envolvimento na iniciativa Digital TER-X.
- Será aberta a adesão de agentes de toda a cadeia de valor da construção: promotores, arquitetos, engenheiros, empresas de construção, fornecedores de software, entidades públicas, centros de inovação, entre outros.
- São bem-vindos todos aqueles que queiram colaborar nos trabalhos deste grupo. Para tal contactem por favor o responsável do grupo.
Anexo:
European openBIM Forum
Responsável: Marta Campos
Objetivo: Conjunto de capítulos europeus junto da União Europeia para promover o openBIM.
Modelos de dados dos produtos de construção
Responsável: Miguel Azenha
Objetivo: Desenvolver modelos de dados de produtos (PDT) normalizados para produtos de construção, facilitando a interoperabilidade e a coerência dos dados ao longo do ciclo de vida do produto.
De acordo com a EN ISO 23386, um dicionário de dados é um repositório digital que padroniza definições, estruturas e atributos de propriedades e grupos de propriedades para processos relacionados com a construção e BIM. Isso assegura dados consistentes e de alta qualidade, que podem ser facilmente partilhados e interoperáveis entre plataformas. Com a atribuição de identificadores únicos a conceitos, os dicionários de dados permitem o mapeamento universal de termos equivalentes, permitindo que as máquinas “leiam” e “compreendam” o significado pretendido, independentemente das variações semânticas locais.
Cada país é incentivado a desenvolver dicionários de dados que reflitam os seus requisitos legislativos e culturais, o que promove a integração e harmonização dos dados. A BuildingSMART Portugal compromete-se a apoiar a criação de dicionários de dados que atendam às particularidades do mercado nacional e aos requisitos emergentes, especialmente os relacionados com o Regulamento de Ecodesign para Produtos Sustentáveis (ESPR) e o Regulamento dos Produtos de Construção (CPR). Estas regulamentações introduzem conceitos como passaportes digitais de produtos, que exigem dados essenciais sobre desempenho e declarações ambientais dos produtos. Complementarmente, e em linha com o ecosistema openBIM, as definições de Level of Information Need para situações correntes, bem como as respetivas especificações IDS, poderão ajudar o mercado com exemplos concretos de aplicação. A ligação ao serviço da bSDD será também uma consequência neste trabalho e uma mais valia para a visibilidade internacional da nossa indústria.
Toda a comunidade é convidada a participar e contribuir para o desenvolvimento destas definições globais, recentemente iniciadas através da plataforma PDTs.pt de Modelos de Dados de Produtos. A participação de profissionais e organizações do setor será crucial para o progresso deste projeto.
Ver Apresentação (Manifesto)
OpenBIM para Obras de Arte em infraestruturas ferroviárias e rodoviárias
Responsável: Tiago Vieira
Objetivo: definir e padronizar, através do OpenBIM, critérios de modelação e uma estrutura de dados comum para a apresentação dos modelos BIM de obras de arte em infraestruturas ferroviárias e rodoviárias, promovendo a interoperabilidade entre os stakeholders e a otimização dos prazos e custos dos projetos.
OpenBIM para Obras de Arte em infraestruturas ferroviárias e rodoviárias.
Atualmente, existem nos vários países diferenças significativas no modo de apresentação dos modelos BIM para projetos de infraestruturas, em particular para as obras de arte (pontes, viadutos, obras correntes, etc.). Este facto impede os vários stakeholders e a indústria de usarem plenamente todo o potencial dos modelos e cria incertezas desnecessárias que se têm refletido negativamente nos prazos e nos custos dos projectos.
O presente grupo de trabalho visa a definição e standarização de critérios de modelação suportados em OpenBIM que contenham indicações claras e detalhadas quanto à forma de apresentação dos modelos e à adopção de uma política de estrutura de dados comum para os modelos. Neste âmbito incluem-se a forma de divisão dos modelos, assim como a definição de modelos de dados de produtos relevantes e ‘nível de informação necessário’ para situações típicas.
Domínios Específicos
- Aeroportos
- Responsável: Décio Ferreira
- Edifícios
- Responsável: Marta Campos
- Construtores
- Responsável: Miguel Pires
- Infraestruturas
- Responsável: Luís Ribeirinho
- Produtos
- Responsável: Cláudia Antunes
- Ferroviário
- Responsável: Francisco Sécio
- Regulatório
- Responsável: Miguel Azenha
- Técnico
- Responsável: José Granja